Virgínia – O Quarto Mundo

Virgínia era a quinta filha de uma família de nove filhos. Sua família era pobre e por isso eles a mandaram para um convento. Onde ela teria instrução, casa e um futuro.

Ela foi para lá quando tinha quinze anos e ali foi sua casa por cinco anos. O convento também era uma espécie de enfermaria onde as freiras cuidavam de doentes e feridos de guerra.

A única parte do convento que Virgínia gostava era de atender os doentes. Fazia com que se sentisse útil e era quando ela podia ter conversas de verdade com pessoas de fora.

Ela nunca mais teve contato com a sua família. O convento ficava longe de onde viviam e ninguém nunca fora visitá-la.

Certo dia chegou um soldado. Ele tinha uma perna quebrada que as freiras estavam fazendo o possível para não precisar amputá-la e Virgínia era uma das encarregadas dele.

O soldado estava consciente e logo ele se tornou o paciente preferido de Virgínia. Ela o deixava por último na sua ronda habitual, assim tinham tempo para conversar.

Quando ele começou a se recuperar e as freiras falavam sobre mandá-lo a casa, Virgínia sabia que a hora de se despedir tinha chegado, mas na penúltima noite que ele ficaria ali, ele pediu a ela que fugisse com ele.

Virgínia hesitou somente por um breve momento. Ela nunca quis aquela vida, ela não escolhera aquilo.

Eles fugiriam na noite seguinte.

Virgínia nunca se sentiu tão livre e tão feliz em toda sua vida.

Eles se casaram, mas eles não viveram juntos por muito tempo. A perna dele estava sarada e logo ele teve que voltar à guerra.

Virgínia não queria ficar em casa e esperar pela sua volta. Ela vestiu o hábito novamente se passando por freira e foi come ele como enfermeira para ficar mais perto de onde ele estivesse.

Mas o lugar onde ela estava foi atacado e ela acordou no Quarto Mundo.

 

(Virgínia é uma personagem do meu livro O Quarto Mundo, para saber mais clique aqui.)