Hubert – O Quarto Mundo

A mãe de Hubert era uma cantora de ópera e seu pai era seu agente.

Quando Hubert não estava viajando com eles, ele estava na casa da avó materna.

A timidez de Hubert fez com que ele nunca sequer pensasse em seguir os caminhos da mãe e ir para o palco, mas ele adorava ficar nos bastidores. Pensou que um dia podia ser diretor, pois assistir aos ensaios era o que ele mais gostava.

Ele nunca cogitou a possibilidade de ir para a guerra, embora soubesse que as chances de ser convocado eram muito grandes, tinha uma esperança ingênua que, devido ao fato de estar sempre viajando, talvez ele escapasse da convocação.

Quando Hubert tinha 17 anos, sua avó pegou varíola e ele foi deixado para trás para cuidar dela. Nesse meio tempo, ele ficou sabendo que o teatro onde seus pais estavam se apresentando pegara fogo e ninguém sabia dizer onde estavam seus pais.

Tendo consciência que sua avó não viveria muito, ele planejou partir em busca dos pais assim que o inevitável acontecesse, porém, dois dias depois da sua avó sucumbir, ele foi chamado.

Fugir passou pela sua cabeça, mas não podia fazer isso com o nome de sua família, pois naquele momento começava a achar que o nome dos seus pais era tudo o que restava deles, pois todas suas tentativas de saber se seus pais sobreviveram ao incêndio foram infrutíferas.

Sendo assim, ele foi.

Quando soube que o colocaram no navio, achou que talvez as coisas não seriam tão ruins quanto pensara, mas aquilo não foi verdade. Ninguém na tripulação tinha a sua educação, a maioria eram homens que nem sabiam ler e ele se destacava, se sentia estranho, observado e odiado por nenhum motivo aparente que não fosse o fato de ter dinheiro e saber pronunciar as palavras de forma correta. Richard foi o único que virou seu amigo. Steven também o tratava bem, mas Hubert sabia que não era boa companhia para ninguém. Pensou em se matar muitas vezes, mas morrer afogado o apavorava. Melhor um tiro na cabeça, ele pensava. Muitas noites ele levantou a arma até sua cabeça, mas nunca teve a coragem de puxar o gatilho e Hubert dizia a si mesmo: talvez amanhã.

Então, o navio pirata veio…

 

(Hubert é um personagem do meu livro O Quarto Mundo, para saber mais clique aqui.)