setembro 20

Usando os cinco sentidos na sua história

É normal quando escrevemos usarmos a visão como ponto de referência para tudo o que acontece em volta dos nossos queridos personagens, mas para dar uma temperada na sua história você pode usar todos os cinco sentidos.

  1. Visão – tudo o que seu personagem vê e é relevante para a história. Se você escreve em terceira pessoa, também pode escrever o que o personagem não vê ou não viu, mas você sabe que está lá e quer que o leitor saiba também.

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“Você sabia? Os cães podem ver cores, mas não tantas cores como seres humanos.” – Ficazo

 

2. Audição – faça com que seu leitor escute o que está acontecendo. Por exemplo: em uma cena de luta você pode aumentar a vivência do leitor fazendo-o “escutar” o barulho de um osso quebrando ou em uma cena romântica ele pode escutar as batidas do coração da outra pessoa.

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3. Olfato – o olfato muitas vezes é meio esquecido pelos escritores, mas também pode fazer tudo ficar melhor. Pensa como um cheiro às vezes te transporta para uma memória. Como cheiro de chuva, cheiro de alguma comida. Use isso no seu personagem, afinal, assim como nós, ele também tem passado e memória sensorial.

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4. Paladar – esse é outro sentido que parece que só é lembrado quando nosso personagem está comendo e às vezes nem assim. Mas você pode usar o paladar em situações que não são só quando ele está comendo. Por exemplo: se seu personagem levou um soco na boca, ele provavelmente vai sentir o gosto de sangue na boca. Se seu personagem é fumante, você pode falar do gosto que o cigarro (ou seja lá o que ele fumar) deixa na boca dele e se ele gosta ou não.

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5. Tato – esse também é meio esquecido, mas se você pensar não deveria ser porque estamos quase o tempo todo em contato com alguma coisa. Se seu personagem está na chuva, como ele sente a chuva na pele ou se ele está descalço como ele sente o chão que ele está pisando.

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E se seu personagem não tem um dos sentidos, é ainda mais interessante mostrar como ele usa os outros que ele tem.

Ok, agora volte a escrever.

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Fonte gifs: Giphy

agosto 17

Azura – O Quarto Mundo

A mãe de Azura pertencia a uma linhagem de bruxas. Por medo dos caçadores de bruxas, o coven não permitia a entrada de homens. Para dar sequência a linhagem elas adotavam meninas órfãs ou ficavam grávidas de homens que depois nunca mais viam, mas não se casavam e viviam mudando de cidade.

Seu pai era um contador de história. A mãe de Azura o conheceu enquanto fazia compras no mercado e o viu chamando a atenção das pessoas para escutarem suas histórias. Curiosa, ela ficou para assistir. Quando ele acabou, a mãe de Azura se aproximou para lhe jogar algumas moedas, ele agradeceu com um sorriso. Ela voltou às suas compras enquanto ele recolhia suas coisas quando dois meninos passaram correndo pegando o chapéu com o dinheiro das suas mãos. O pai de Azura correu atrás deles, mas a mãe de Azura que estava no meio do caminho dos meninos, os fez cair com um movimento dos dedos que ninguém viu. Ela se abaixou, pegou o chapéu e deu ao pai de Azura que chegava esbaforido. Em seguida, os guardas do mercado chegaram e levaram os meninos com eles. O pai de Azura sem saber como agradecer (pois ele vira o que ela fez), a chamou para um café.

Acabou virando uma rotina eles se encontrarem todos os dias no final da tarde. A mãe de Azura queria confiar nele e lhe contou a verdade sobre quem ela era e também que eles tinham que manter a relação em segredo. Ele não ficou surpreso e falou para ela que já imaginava, pois tinha visto o que ela fizera no mercado e prometeu nunca contar a ninguém.

Mas quando ela ficou grávida, não havia mais modo de esconder, sem coragem de contar ao coven, achou que era melhor eles fugirem juntos.

Os dois viviam viajando e sempre que paravam, a mãe de Azura se apressava em fazer feitiços para que ninguém descobrisse onde eles estavam, mas enquanto ela tentava tomar todas as precauções para que o coven não os achassem, seu companheiro usava nas suas histórias o que ele sabia sobre a vida secreta das bruxas, e ele as contava em feiras e mercados para quem quisesse ouvir, pois essas histórias lhe rendiam muitas moedas.

Quando ela estava grávida de seis meses pressentiu a chegada do coven.

Elas chegaram escancarando a porta da casa onde eles estavam enquanto os dois faziam as malas às pressas.

O coven era formado por sete mulheres contando com a mãe de Azura, então agora ela se via cercada por seis mulheres. A sacerdotisa pediu calmamente para eles se sentarem, que elas só queriam conversar. A mãe de Azura não acreditou muito naquilo, mas era melhor conversar do que tentar passar por elas à força.

Primeiro elas falaram que os dois poderiam ir viver com elas sem problemas, depois disseram que a única condição era que ele não saísse contando para todos os segredos delas e então chegaram onde queriam. Perguntaram a mãe de Azura se ela sabia que as histórias que ele andava contando nas feiras, eram histórias sobre elas e que fora assim que elas os encontraram.

No começo, ela achou que era mentira. Mas ele não negou e então ela percebeu que diziam a verdade.

Sentindo-se traída, a mãe de Azura foi embora com seu coven com a única condição delas o deixarem viver.

Mas a mãe de Azura nunca teve realmente a intenção de permanecer com seu coven. Não acreditava mais nelas, assim como não acreditava no pai de Azura, queria ir embora para outro mundo.

Enquanto fingia que tudo tinha voltado ao normal, a mãe de Azura pesquisava em segredo uma forma para ir ao Quarto Mundo, que era de conhecimento comum das bruxas.

Assim que ela descobriu um modo para atravessar, ela foi embora sem falar com ninguém. Quando isso aconteceu, ela estava grávida de oito meses.

A mãe de Azura tinha pesquisado tudo sobre aquele lugar e escolheu as Ilhas de Skogsra para ter a filha e viver.

Azura nasceu sob uma lua cheia de sangue, o que significava que ela nascia sob os olhos do Deus Nocto. Elas viveram ali com o povo da ilha por muitos anos e raramente saiam. As duas só voltaram para o mundo dos humanos uma vez, quando o coven de sua mãe conseguiu lhe enviar uma mensagem dizendo que o pai de Azura estava morrendo.

Quando Azura fez treze anos, sua mãe lhe disse que para ela continuar vivendo ali e ser livre naquele mundo, ela teria que virar uma maga. Azura aceitou e passou pelas provas de Uaica.

Certo dia os sermérios vieram a ilha atrás dos serviços de sua mãe. Queriam que ela fosse à Utgard para tentar descobrir o paradeiro da Esfera dos Alquimistas. Sem poder recusar, ela foi. Lá, ela encontrou o que eles pediram, mas também encontrou uma criatura criada pelos alquimistas. A criatura a atacou e ela a derrotou, mas foi gravemente ferida.

Quando ela voltou, o povo da ilha a socorreu e fez de tudo para salvá-la, até mesmo os sermérios que ali esperavam tentaram ajudar, mas não conseguiram. No decorrer de um dia ela morreu.

Azura ainda ficou na ilha por quatro anos depois da morte da sua mãe. Mas então, decidiu que queria explorar o mundo e foi embora.

 

Azura é uma personagem do meu livro “O Quarto Mundo”, para saber mais clique aqui.